Home / Noticias / 11.08.2008 10:29h

Advogados comemoram o seu dia

11/08/2008 10:29h

http://bit.ly/LDggiv

Confira entrevista com o presidente da OAB/RS, Claudio Lamachia, sobre as recentes conquistas da classe, e das lutas empreendidas pela entidade.


Os advogados brasileiros conquistaram, na semana passada, uma importante vitória para a categoria: o (então) presidente da República em exercício, José de Alencar, sancionou o Projeto de Lei 36/2006, que estabelece a inviolabilidade dos escritórios de advocacia. Será um motivo a mais de comemoração nesta segunda-feira, quando é celebrado o Dia do Advogado. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio Grande do Sul (OAB/RS) vem, desde o início do mês, promovendo atividades e palestras sobre diferentes áreas do Direito, e já prepara, para os próximos dias 19 e 20, a Conferência Estadual dos Advogados. Nesta entrevista, o presidente da Ordem gaúcha, Claudio Lamachia, aborda algumas das lutas dos advogados.

Assessoria de Imprensa OAB/RS: Em que outras frentes corporativas os advogados lutam, atualmente?

Claudio Lamachia: Como já estamos no segundo semestre do ano, certamente começam a ficar mais fortes as preocupações com as férias da categoria, direito de que os advogados ainda não podem desfrutar, pois não há regulamentação a respeito. O Projeto de Lei n° 06/2007, que institui a suspensão de prazos processuais (férias dos advogados) entre dezembro e janeiro de cada ano, está parado no Senado Federal, à espera de votação, desde o início de maio. Na semana passada expus a questão, pessoalmente, ao presidente do Senado, senador Garibaldi Alves Filho, que se comprometeu em levar a matéria à votação o mais brevemente possível. Depois do Senado, o projeto ainda terá de passar novamente pela Câmara para que, aprovado, possa vigorar já neste ano.

AI: Porquê as férias dos advogados precisam ter uma regulamentação específica?

CL: Porque os prazos processuais são ininterruptos, obrigando os advogados a acompanhá-los para não perder o andamento dos processos. Nossa luta, que inclui contatos permanentes com parlamentares das bancadas gaúchas em Brasília, é para que esses prazos forenses sejam suspensos por 30 dias – entre 20 de dezembro e 20 de janeiro –, permitindo, especialmente aos pequenos escritórios, um período de descanso anual, a exemplo do que é direito de todos os trabalhadores do país. Suspender os prazos não significa, porém, interromper o trabalho da Justiça, que manteria seus serviços normalmente.

AI: A OAB/RS considera que, muitas vezes, os valores dos honorários fixados nas causas pelos magistrados são preocupantes por serem baixos demais. Como está esta questão?

CL: Este é um ponto crucial na vida do advogado. Os juízes precisam entender que os honorários são o salário do advogado, e que, por isso, têm caráter alimentar e não compensável. O profissional depende dos honorários para manter sua família e o seu escritório, para ficar nos exemplos mais básicos. O que observamos, no entanto, é um processo de franco aviltamento na fixação dos valores dos honorários pelos magistrados. Temos vários registros de causas em que os pagamentos que couberam aos advogados são realmente indignos. É preciso lembrar que uma advocacia forte significa cidadania também forte, o que é fundamental para o regime democrático. O enfraquecimento do trabalho do advogado – via honorários muitas vezes irrisórios – resulta no enfraquecimento do Estado de Direito. Estamos trabalhando neste tema em duas frentes: buscando a alteração do artigo 21 do Código de Processo Civil, visando à proibição da compensação dos honorários e trabalhando na conscientização da magistratura quanto à importância do respeito na fixação da verba honorária, pelas razões já expostas anteriormente.

AI: Em termos de resultados, a OAB conseguiu, na semana passada, que fosse regulamentada a inviolabilidade dos escritórios de advocacia. O que isso significa?

CL: Significa uma vitória da cidadania brasileira e uma demonstração da maturidade da nossa democracia. Ao sancionar, na quinta-feira passada (7), o Projeto de Lei 36/2006, que estabeleceu a inviolabilidade dos escritórios de advocacia, o presidente da República em exercício, José de Alencar, assegurou um direito da cidadania, na medida em que nos escritórios estão as peças ou informações que irão compor a ampla defesa do cidadão, prerrogativa constitucionalmente assegurada.

AI: Alguns setores da sociedade posicionaram-se frontalmente contra a medida, argumentando, principalmente, que os escritórios, tornados invioláveis, poderão virar “esconderijos do crime”. Como a OAB responde a isso?

CL: A lei não blinda, em investigações, os advogados eventualmente envolvidos em crimes e nem institui um habeas corpus preventivo para os profissionais. Nós defendemos o direito das pessoas à inviolabilidade dos seus segredos pessoais, preservando o sigilo da relação advogado/cliente, um item fundamental para o exercício da Justiça. Além disso, não há, nos escritórios, apenas informações que estão ligadas a ações penais, mas há também segredos e intimidades ligadas a questões de família ou que envolvem a área trabalhista, por exemplo. Se fossem violáveis os escritórios, o próximo passo poderia ser a violação das fontes jornalísticas, das conversas ocorridas em confessionários e das informações contidas nos consultórios psiquiátricos que, no entanto, estão resguardadas. Estaria configurado, então, um verdadeiro Estado policialesco, que lembraria os tempos sombrios da ditadura militar.

AI: Além do projeto das férias, existe alguma outra grande expectativa dos advogados para este ano?

CL: Sim, mas é uma expectativa dos advogados gaúchos, unicamente: a mudança da sede da OAB/RS para o prédio que foi comprado no início do ano. A categoria está exultante, assim como nós, da diretoria, pois foi um negócio excepcional, em que a Ordem trocou o pagamento de mais de R$ 70 mil mensais em aluguéis por um investimento em patrimônio próprio, de forma direta. O edifício, localizado na Zona Central de Porto Alegre, significa um marco na história da advocacia gaúcha e será integralmente pago ainda nesta gestão (vai até 2009), sem comprometer as futuras administrações da Seccional.


Assessoria de Imprensa

Carol Majewski – Jornalista / Assessor

 

11/08/2008 10:29h



Notícia anterior

Painéis sobre a “Proteção do consumidor” e curso de “Capacitação em Direito e Processo do Trabalho” são as atrações desta terça feira (12) na programação do Mês do Advogado 2008

11.08.2008
Próxima notícia

Presidente da Comissão de Direito Bancário autografa livro no Departamento Cultural

11.08.2008

Principais notícias

Ver todas